INA REDUZ ENVIO DE TERRAS-RARAS AOS EUA E AUMENTA PRESSÃO COMERCIAL
Enquanto o mundo acompanha as bombas no Oriente Médio, outra disputa internacional acontece nos bastidores — e ela pode afetar tecnologia, indústria e até equipamentos militares.
Empresas chinesas fornecedoras de terras-raras começaram a interromper ou reduzir remessas para os Estados Unidos em meio ao aumento das tensões geopolíticas e comerciais entre os dois países.
A informação foi divulgada pela Reuters nesta sexta-feira.
As terras-raras são fundamentais para uma série de produtos estratégicos: componentes eletrônicos, motores, equipamentos de defesa, tecnologia aeroespacial e diversas aplicações industriais.
O problema é que a China ocupa uma posição extremamente importante nessa cadeia global de fornecimento.
A situação ganha ainda mais importância porque o presidente chinês Xi Jinping tem uma visita prevista a Washington em setembro.
Ou seja, de um lado existe a possibilidade de negociação entre os governos; do outro, empresas e fornecedores chineses estão demonstrando preocupação com as consequências de cumprir determinadas exigências internacionais.
Os Estados Unidos pressionam por maior previsibilidade no fornecimento e por licenças de exportação mais rápidas.
A China, por sua vez, vem utilizando seu controle sobre minerais estratégicos como uma das ferramentas de negociação na disputa comercial.
E isso mostra como a guerra econômica do século XXI não acontece somente através de tarifas.
Ela acontece também através de chips, minerais, tecnologia, energia, inteligência artificial e cadeias de produção.
Quando um país controla um recurso fundamental para uma indústria, esse recurso deixa de ser apenas uma commodity e passa a ter importância estratégica.
A Reuters informa que empresas americanas enfrentam espera prolongada por licenças de exportação de alguns minerais. Japão e Índia também enfrentam restrições ainda mais severas em determinados materiais.
Para o Brasil, essa disputa merece atenção.
O país possui importantes reservas minerais e pode ganhar espaço na cadeia mundial de fornecimento de minerais estratégicos.
Mas também pode sofrer consequências se uma disputa entre as duas maiores economias do mundo provocar novas barreiras comerciais, encarecimento de componentes ou mudanças nas cadeias globais de produção.
No mundo atual, portanto, uma decisão tomada em Pequim pode acabar influenciando o preço de um produto fabricado milhares de quilômetros dali.
