ECONOMIA —Dólar dispara e Bolsa sofre forte queda após resultado eleitoral
O mercado financeiro brasileiro registrou uma das sessões mais turbulentas dos últimos anos na segunda-feira, 26 de outubro, primeiro pregão após a reeleição de Lula.
Segundo a Agência Brasil, o dólar comercial fechou a R$ 5,403, com alta diária de 8,21%. Foi a maior valorização percentual diária da moeda americana desde janeiro de 1999.
A Bolsa de Valores brasileira também sofreu um tombo expressivo. O Ibovespa recuou 13,88%, encerrando o pregão aos 176.608 pontos. Durante a manhã, a queda ultrapassou 17%, levando à ativação do mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte desvalorização.
O volume financeiro negociado chegou a R$ 88,6 bilhões, muito acima da média diária habitual mencionada pela agência.
Por que o mercado reagiu dessa maneira?
Uma parte dos investidores apostava em uma mudança de governo e havia ajustado suas posições financeiras considerando essa possibilidade. Com a vitória de Lula, muitos precisaram rever suas estratégias.
Além disso, investidores acompanham de perto as perspectivas para as contas públicas, o crescimento da dívida, a inflação e a política econômica do próximo mandato.
Quando cresce a percepção de risco, investidores podem vender ações, procurar ativos considerados mais seguros e exigir juros maiores para financiar empresas e o governo.
Mas existe uma ressalva importante: a reação de um único pregão não permite afirmar que a economia brasileira necessariamente entrará em recessão ou que o dólar permanecerá nesse patamar.
A cotação das moedas e os preços das ações mudam conforme novas informações econômicas e políticas aparecem.
O que isso significa para o cidadão?
Uma alta persistente do dólar pode encarecer produtos importados, combustíveis e insumos utilizados pela indústria. Dependendo da duração e da intensidade do movimento, parte desses custos pode chegar ao consumidor.
Empresas que dependem de componentes estrangeiros também podem enfrentar despesas maiores. Já exportadores podem receber mais reais por receitas obtidas em dólares, embora isso dependa de seus custos e contratos.
O principal desafio agora será recuperar a confiança dos investidores sem perder de vista o crescimento econômico, o emprego e o controle da inflação.
