Kim Jong-un inspeciona nova fábrica nuclear e planeja expandir produção
Postado 04/06/2026 10H29
Desenvolvimento de armas nucleares faz parte de um plano quinquenal implementado no país após fracasso nas negociações com os EUA
Kim Jong-un inspecionou uma nova fábrica que produz material nuclear para armas e afirmou que planeja
"reforçar as forças nucleares do nosso Estado a um ritmo exponencial", segundo reportagem da mídia estatal.
O líder norte-coreano disse que seu país mais que dobrou sua capacidade de produzir material nuclear
para armas nos últimos cinco anos e que a nova fábrica ajudará a fortalecer sua dissuasão nuclear,
de acordo com a KCNA (Agência Central de Notícias da Coreia).
Kim instituiu o programa de desenvolvimento de armas nucleares como parte de um plano quinquenal
implementado após o fracasso das negociações de desnuclearização com os Estados Unidos, que incluiu
três encontros com o presidente americano, Donald Trump, durante seu primeiro mandato.
A Coreia do Norte já possui material nuclear suficiente para até 90 ogivas e acredita-se que tenha
montado cerca de 50, de acordo com um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA, de março.
A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) informou, também em março, que a Coreia do Norte
possui pelo menos duas usinas de enriquecimento nuclear em operação, uma em Yongbyon e outra em Kangson.
A agência afirmou estar monitorando a construção de um novo prédio em Yongbyon, “que possui dimensões e
infraestrutura, incluindo fornecimento de energia e capacidade de refrigeração,
semelhantes às da instalação de enriquecimento de Kangson”.
“O novo edifício está com a parte externa concluída e os acabamentos internos provavelmente
estão em andamento”, destacou o relatório da AIEA.
Em depoimento prestado em abril ao Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes
dos EUA, o chefe da Agência de Inteligência de Defesa, tenente-general James Adams, afirmou
que a Coreia do Norte estava “construindo uma provável instalação adicional de enriquecimento de urânio em Yongbyon”.
Não foi possível determinar se a instalação visitada por Kim na quarta-feira (3) era essa
nova instalação em Yongbyon ou outra planta até então desconhecida. A reportagem da KCNA não informou a localização.
Esta é pelo menos a terceira vez desde setembro de 2024 que a mídia estatal publica fotos
de Kim inspecionando uma instalação de enriquecimento de urânio ou de produção de material nuclear.
Expansão do programa nuclear e tecnologia sofisticada
A reportagem da KCNA desta quinta-feira (4) pontuou que a nova usina nuclear emprega "tecnologia mais sofisticada",
e imagens fornecidas pela Coreia do Norte mostraram o líder do país caminhando entre fileiras de centrífugas.
Hong Min, pesquisador sênior do Instituto Coreano para a Unificação Nacional em Seul, disse à CNN que a nova
instalação revela uma maturação e expansão do programa nuclear da Coreia do Norte.
A reportagem "dá a impressão de que o foco mudou de 'pesquisa e produção' para 'produção em massa e munições'",
já que autoridades da indústria de munições e do Instituto de Armas Nucleares acompanharam Kim, avaliou Hong.
Além disso, ao publicar várias fotos mostrando a sala de controle, tubulações de processamento e a área
de módulos, a Coreia do Norte "está intencionalmente destacando o aspecto de uma fábrica concluída e em operação", afirmou.
Dar destaque às instalações de produção em vez de testes de armas mais chamativos ou grandes desfiles
militares mostra que a Coreia do Norte agora projeta ter a infraestrutura necessária para cumprir seus
planos de implantar uma dissuasão nuclear robusta.
Além de expandir sua capacidade de enriquecimento nuclear, a Coreia do Norte vem testando uma variedade
de mísseis nos últimos anos e testou com sucesso mísseis balísticos intercontinentais capazes de atingir
qualquer ponto dos Estados Unidos, de acordo com a Avaliação Anual de Ameaças de 2026 do Gabinete do
Diretor de Inteligência Nacional dos EUA.
Na quarta-feira, Kim Jong-un elogiou os cientistas nucleares do país por cumprirem as metas do plano
quinquenal e afirmou que seu potencial nuclear é “inconcebível”.
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